A (falsa) estratégia

 

Image by Steve Buissinne from Pixabay

Pensar estrategicamente é um exercício de futurismo a longo prazo. Acima de tudo significa pensar nas opções que visam um dado objetivo, uma dada realização. Mentes pequenas, imediatistas, de curto prazo nunca têm estratégia nenhuma, apenas táticas. O roubo, em que o ditado popular tão a propósito diz que “a ocasião faz o ladrão, mostra que os países dedicados á pilhagem não pensam muito, portanto a sua estratégia é fraca e sujeita a surpresas. A movimentação de governantes pouco inteligentes reflete-se em tomadas de decisão sem ponderação para com as consequências. É fácil verificar como a Europa, excetuando a parte russa, enfrenta uma crise energética e em breve uma crise alimentar por um apego religioso à descarbonização. Igual às campanhas inquisitoriais da velha igreja católica, os ambientalistas pregam a energia renovável como pináculo da virtude social e o combate a todos os gases de efeito de estufa, como a batalha em que todo o cidadão virtuoso  precisa estar empenhado. Não lhe importa que enregele no Inverno ou se morra de frio, ou que não se tenha que comer, porque o que é importante é salvar o planeta, não os humanos! Também não importava aos inquisidores que aqueles que lançava na fogueira fossem culpados de algum desvio herético ou não, o que era importante era o respeito pela Igreja. Como disse um durante um massacre, “matem todos, Deus saberá distinguir os seus”.

Atualmente estamos na mesma.

Não importa que a Europa pereça, desde que a Rússia não vença. Mas vencer o quê? Alguns afirmam que são dois sistemas que se combatem um representado pelos EUA, designado coletivamente como Ocidente, dito de valores democráticos, com liberdade de expressão e respeito pelos Direitos Humanos, e o outro lado representado pela Rússia sem valores democráticos e por isso ditatorial, sem liberdade de expressão e sem qualquer respeito pelos Direitos Humanos. Contudo uma observação atenta notará que as aparências iludem. O Ocidente tem jornalistas presos, como o caso vergonhoso de Julien Assange, corporações como o Facebook e o Twitter praticam censura a seu belo prazer e os Direitos Humanos são rapidamente esquecidos quando o Ocidente bombardeia a Líbia, só porque sim. Ao contrário não conhecemos presos políticos do outro lado, afinal o Navalny está preso porque violou a liberdade condicional a que estava sujeito por um Tribunal do seu país e a ele decidiu regressar para se armar em mártir. O julgamento foi por fraudes financeiras o que também diz muito sobre os heróis que o Ocidente decide criar. Nas redes do outro lado, o VK não censura mesmo quando se diz mal do Putin e os Direitos Humanos parecem melhor resguardados como mostra a situação de Snowden que ficou com o passaporte cancelado no aeroporto de Moscovo arriscando-se a protagonizar uma situação semelhante ao do personagem de Tom Hank no filme O Terminal.

Depois dos avisos dados pela Rússia em relação aquilo que considerava de linhas vermelhas, depois de ver como oportunisticamente e de forma contrária às promessas feitas, a NATO do Tio Sam avançava velozmente em direção à sua fronteira. Depois de mostrar que não estava a brincar com a tomada da Crimeia, o Ocidente atirou tudo isso de forma ligeira para trás das costas e aumentou as provocações. Finalmente elas deram o resultado que se esperava e que o Ocidente desejava: Guerra.

Talvez o Tio Sam sonhe numa situação semelhante ao Afeganistão dos talibãs, quando estes desgastaram o exército russo e o levaram a abandonar o país. Talvez esperem manter a Rússia entretida por longo tempo, até pelo menos à “morte do último ucraniano” fazendo a Rússia sangrar com o peso adicional de sanções elevadas. Nem os tempos são os dos talibãs afegãos que pagaram na mesma moeda ao Tio Sam como haviam feito ao exército russo, como a Ucrânia se tornou um moinho de carne picada e em que a sangria russa anunciada é pouco evidente. Para rematar tudo, e se não fosse sério chegava a ser cómico, as sanções valorizaram o rublo e trouxeram inflação galopante para o Ocidente.

E como se isso tudo não bastasse os elitistas que se reúnem em Davos sempre em busca de uma oportunidade de estender o seu poder e fazerem de nós, povo comum, uma espécie de servos da gleba, e porque o pretexto do COVID 19 para a sua agenda teve que ser posto de lado, veem outra oportunidade na presente situação de guerra. A Rússia será a culpada, culpada ou não como na antiga inquisição, por todos os malefícios, sendo que estes malefícios proveem todos destas cabecinhas que apenas pensam no mal, com táticas diversas, mas sem estratégia. Mas eles têm objetivos, sabem onde querem chegar: ao domínio absoluto do mundo!

Para concretizar esse seu sonho húmido, têm de nos convencer pelo medo, como ovelhas a irmos numa nada direção conduzidos pelos seus cães de serviço, esses políticos venais, idiotas, que se candidatam não a próximas eleições mas a uma dança de perder a cabeça com Mademoiselle Guillotine.

Não esqueçam que o Ocidente não é democrata, apenas o é na aparência! Por incontáveis eleições você tem a liberdade de votar, mas apenas nos candidatos que eles lhe apresentam através de campanhas bem financiadas. Como nos EUA democracia caricata com apenas dois partidos, fica mais fácil financiar quem se quer seja de um lado seja de outro e não é incomum, que os mesmos apoiem um candidato de um lado e um candidato do outro. Assim os candidatos não são nem democratas, nem republicanos, mas são os candidatos da Elite.

O que quer esta Elite?

Nas inefáveis palavras dos seus intelectuais operacionais e q.b. de idiotas úteis, transformar o sistema mundial no chamado “stakeholder capitalismo”, o que traduzido de uma forma muito simples significa: Nós mandamos e vocês obedecem! Mas como eles compreendem que imposto assim tão cruamente, o povo decidisse afogá-los pelo número, eles, na sua enorme benevolência e humildade, tão amorosos quanto o cristianismo dos inquisidores, vão criar um mundo em que “não teremos nada, mas seremos felizes!”

Quem se candidata?

É que tal paraíso anunciado, com aqueles cores que vimos na estupenda e profética série “Matrix”, não pode ser para todos! Por isso, igual ao pêlo nas ovelhas tem de haver uma tosquia, ou como explica outro intelectual da filosofia de Davos, há demasiados “comedores inúteis” diz Harari! Nas “Pedras da Geórgia” que entretanto foram demolidas, alguém escreveu que o ideal era uma população mundial na casa dos 500 milhões... Por isso, aos que não morreram com COVID 19 foi-lhe enfiada uma mistela nas veias que os torna em “zombies” com prazo de validade curto. Mas se esta tática não der certo, nada melhor que a atual situação, matam-se de frio e de fome a esses “comedores inúteis”!

Considera-se com sorte?

Se fosse a si não confiava muito nela, sabe como é, sempre pode falhar. Assim nos tempos vindouros vou escrever alguns artigos sobre como se pode preparar, para o que aí vem.

Comentários

  1. Este artigo é um exemplo que demonstra que o Ocidente, em particular a França, não têm estratégia, apenas oportunismo.
    https://www.voltairenet.org/article217817.html

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