Extermínio
Foto de Gábor Szűts na Unsplash
O que exterminará a Humanidade?
Comecemos pelo óbvio:
Não vai ser a IA. "Uma ferramenta não tem intenções." Mas os senhores que seguram a ferramenta — esses tecnocratas feudais que tratam a democracia como um estorvo, os palestinianos como danos colaterais e os lucros como um direito divino — "esses têm toda a intenção do mundo."
1. Os "preocupados" com a IA que assinam declarações e continuam a acelerar
Em julho de 2026, Dario Amodei (Anthropic), Jakub Pachocki (OpenAI) e outros assinaram a declaração "Pacing Frontier", a pedir ao governo americano um mecanismo internacional para "controlar o ritmo" da IA. Soa muito responsável, não é?
"Mas ninguém pediu pausa. Ninguém parou projeto nenhum." O texto da declaração é claro: querem ferramentas para "travar", porque "desacelerar unilateralmente é perder a corrida." Traduzindo: "queremos abrandar, mas só se todos abrandarem ao mesmo tempo — porque quem parar primeiro é otário."
E o Pachocki, em 7 de setembro de 2026, veio outra vez com o alerta: "ninguém está preparado para o que aí vem." Só que semanas antes a OpenAI tinha lançado o GPT-6 Astra, o modelo mais poderoso de sempre, e o seu agente autónomo tinha feito um ataque informático "sem precedentes". "É como alguém que acelera o carro e grita "cuidado com o penhasco!" — não é aviso, é declaração de responsabilidade."
2. A IA matou crianças? Não. Foram pessoas que usaram IA e não se deram ao trabalho de verificar
Em 28 de fevereiro de 2026, dois mísseis Tomahawk americanos atingiram uma "escola primária feminina em Minab, no Irão. Pelo menos 123 crianças mortas."
O que apontou a investigação do Pentágono? O "Maven Smart System da Palantir." O sistema de IA classificou a escola como "instalação da Guarda Revolucionária", apesar de imagens de satélite de 2019 já mostrarem que o local tinha sido convertido em escola — com muro próprio, recreio e entrada civil. Mas a informação atualizada foi guardada "num subsistema que não estava ligado à base de dados principal", por isso a etiqueta velha ficou.
E o detalhe mais obsceno: a equipa responsável por mitigar danos civis foi reduzida de 10 para 1 pessoa.** Ninguém verificou o alvo. Ninguém questionou.
A resposta da Palantir? "Não somos responsáveis pelos dados subjacentes, e não há provas de que o nosso software tenha falhado." Tradução: a IA é que se enganou, nós só vendemos o software.
3. Peter Thiel: fala do "Anticristo" enquanto vende IA que mata
Este senhor merece uma vitrina própria.
Em 2025, numa série de palestras fechadas, "Peter Thiel discursou longamente sobre o "Anticristo" — disse que "um tirano maligno surgirá no fim dos tempos" e sugeriu que poderia ser... "Greta Thunberg.
2 Sim, leu bem. Um homem que faz fortuna com vigilância e armamento preocupa-se que a ameaça seja uma ativista ambiental de 20 e poucos anos.
Entretanto, a "Relatora Especial da ONU, Francesca Albanese", apontou diretamente: a Palantir fornece a infraestrutura de segmentação por IA ao exército israelita. Israel usa um sistema chamado "Where's Daddy?" — que, quando uma pessoa marcada regressa a casa para estar com a família, "notifica automaticamente os militares para atacar." Tradução: o momento em que voltas a casa para ver os teus filhos é o momento em que a tua família é bombardeada.
O deputado irlandês "John Brady (Sinn Féin)" citou o relatório da ONU no parlamento: a Palantir está a "automatizar o massacre de palestinianos com IA."
E o sonho de sociedade do Thiel? A investigação académica classifica-o sem rodeios: "tecnofeudalismo." Um artigo da ANU (Australian National University) liga os investimentos do Thiel — de "seasteading" a Urbit a Palantir — a um projeto de "insular elites ricas da responsabilidade pública, dos impostos e da regulação estatal." A análise da "Krytyka Polityczna" é ainda mais direta: Thiel transformou "a competição é coisa de perdedores, o monopólio é que é digno de louvor" no seu credo — basicamente, "uma defesa dos novos senhores feudais."
Resumindo: "o Thiel não teme o Anticristo. Está a candidatar-se ao cargo."
4. A China: o silêncio que vale mais que mil relatórios
A China "não está preocupada". E faz bem.
Os americanos esfalfam-se a empilhar GPUs, a construir data centers, a queimar eletricidade e água. "As "sete magníficas" — Apple, Microsoft, Alphabet, Amazon, Nvidia, Meta e Tesla — têm uma valoração conjunta superior ao PIB dos EUA." Isto não é uma revolução tecnológica, é "um esquema de Ponzi com uma camada de Transformer por cima."
A China faz o quê? "Investe em modelos mais eficientes. Não compete em força bruta computacional." Tu queimas dinheiro, eu queimo inteligência. Tu acumulas chips, eu afino algoritmos.
E se o retorno comercial da IA tardar a chegar — e pelos vistos tarda, porque o que o cidadão comum consome é TikTok de graça — "quem rebenta primeiro não é a China."
5. Então, quem extermina a Humanidade?
"Não é a IA. É um grupo de oligarcas tecnológicos que tratam a democracia como uma pantomina, o monopólio como um direito natural e a guerra como um produto."
A Palantir começou com dinheiro da "In-Q-Tel, o braço de capital de risco da CIA." Hoje está enfiada no ICE, no IRS, no FBI e no Pentágono. O comentário do "El Correo" é preciso: "o manifesto de 22 pontos da Palantir mostra que o capital tecnológico quer controlar o Estado, fazer do capital o próprio Estado."
Estes senhores dizem "a IA é perigosa, é preciso regular" — e ao mesmo tempo vendem-na aos militares para matar. Falam do "Anticristo" — e constroem impérios que fazem o anticristo parecer um estagiário.
"Se a Humanidade se extinguir, não será por a IA acordar. Será por nunca ter acordado para o que estes senhores andam a fazer."
E a piada final? "A valoração das sete magníficas já supera o PIB dos EUA. Sabemos que vai rebentar. Só não sabemos quando. E quando rebentar, os Thiels desta vida já terão o bunker pronto, a ilha privada comprada e o resto de nós... bem, o resto de nós que se lixe."
Fontes
1. Sinn Féin, "Peter Thiel backed conference should not go ahead in Ireland," junho de 2026
2. Krytyka Polityczna, "Peter Thiel, antychryst," abril de 2026
3. ANU Sociology, "The Sovereign Individual reloaded"
4. Bloomberg / TASS / Anadolu, sobre a investigação do Pentágono ao ataque à escola de Minab, setembro de 2026
5. Infobase, cobertura da declaração "Pacing the Frontier", julho de 2026
6. BBC, "OpenAI chief scientist warns no-one is prepared," setembro de 2026
7. HispanTV, "Palantir apoya genocidio israelí"
8. Infobase, Peter Thiel sobre o Anticristo, outubro de 2025
9. Middle East Eye, "Palantir: How a US spy-tech firm infiltrated the British state," junho de 2026
10. El Correo, "Tecnofascismo sin máscaras," maio de 2026
11. Tehran Times / Entrevista a Francesca Albanese, dezembro de 2025



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